Domingo, 03 Julho 2022

Grande ABC ultrapassa marca de 100 mil infectados por Covid

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Quando a química Maria Ivanilde Moura Soares, 55 anos, moradora do bairro Santa Maria, em São Caetano, chegou de viagem internacional, em março, achou que a tosse seca persistente fosse apenas resfriado. Como alguns casos de Covid-19 já haviam sido confirmados no País, achou por bem procurar atendimento médico. A pandemia ainda era uma novidade no Brasil e os próprios profissionais de saúde ainda não sabiam exatamente como proceder. Onze meses depois, o Grande ABC atinge a marca de 100.150 infectados, entre os quais Maria Ivanilde, e 3.507 mortes.

Ela lembrou que após ser atendida pela médica, ficou algumas horas em uma sala, isolada com o filho, até que colhessem dos dois o exame tipo PCR (que se faz com a coleta de material da garganta, por meio de cotonete). Até o resultado positivo para Covid foram quase 15 dias de espera, isolamento, falta de ar e a perda do olfato, que ainda não foi totalmente recuperado. “Não tive febre, mas tinha dias que a falta de ar era tanta que pensava se ia morrer”, afirmou.

 Após o resultado positivo, todos os parentes e as pessoas que haviam tido contato com a química também foram submetidos a exames, sem que nenhuma delas tenha se contaminado. A filha, que mora em Seattle, nos Estados Unidos, e que Maria Ivanilde tinha ido visitar, também realizou teste e não estava contaminada. “Acredito que possa ter pegado a doença em algum dos aeroportos pelos quais passei.”

Maria Ivanilde não teve manifestação grave da doença, mas conhece pessoas que não sobreviveram à infecção. Tem um primo que mora em Diadema e passou 15 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e se preocupa quando vê algumas pessoas falando da Covid-19 como se não fosse uma coisa perigosa. “Já ouvi muita gente falando que é besteira, ainda hoje tem pessoas que não acreditam, que acham que é simples, porque alguns podem ter uma doença leve e outras morrem”, pontuou.

Mesmo após a infecção, a moradora de São Caetano segue adotando as medidas de cuidado recomendadas pelas autoridades sanitárias, como manter distanciamento físico, usar máscara e higienizar as mãos com frequência. “A doença nos mostrou que não somos nada. Um dia você pode estar bem e no outro dia não sabe em que estado vai estar. Hoje está dando tchau e amanhã pode dar adeus”, afirmou.

POR CIDADE

São Bernardo registra 39.210 diagnósticos e 1.212 mortes de Covid, seguida por Santo André (29.495 casos e 862 óbitos), Diadema (13.045 positivos e 563 falecimentos), Mauá (8.154 infectados e 413 vítimas fatais), São Caetano (6.250 contaminações e 311 perdas), Ribeirão Pires (3.200 diagnósticos e 117 vidas ceifadas) e Rio Grande da Serra (796 confirmações e 29 mortes). São 83.515 recuperados.

Isolamento geral não foi adequado, diz casal

Em 15 de março de 2020, a Prefeitura de São Bernardo informou que o primeiro caso de Covid-19 da cidade – e do Grande ABC – havia sido confirmado. Um casal que veio da Itália, morador do Rudge Ramos, testou positivo para a doença e estava isolado em casa. A empresária Cristiane Gassmann Calixto, 52 anos, e o marido, também empresário, Edison Calixto Silva, 53, conviveram 21 dias com os sintomas da doença. “Hoje, avalio que se as crianças tivessem continuado indo para a escola, e apenas os idosos e com alguma doença tivessem sido isolados, talvez tivesse sido melhor”, afirmou Cristiane.

O casal não ficou hospitalizado, mas pelo longo tempo em que os sintomas se manifestaram, passaram 30 dias isolados em casa. Cansaço, dor no corpo, dor de cabeça e muita tosse, além da falta de ar e perda de paladar por um período, foram relatados pelos dois. “Na época, como era tudo muito novo, não se falava em medicamentos, a gente não tomou nada, apenas antitérmico e remédios para dor”, lembrou a empresária. “Hoje em dia a gente vê que em todos os lugares medem a temperatura, mas nós tivemos febre apenas no primeiro dia, e não necessariamente a pessoa contaminada vai ter”, completou.

MAIS FORTE

Atualmente, ambos estão recuperados, inclusive realizando atividades físicas, sem que sua capacidade respiratória tenha ficado prejudicada. “Nossa vida em si não teve grandes transformações. Pelo aspecto psicológico, a gente se fortaleceu por conseguir superar tudo isso, porque na época não foi fácil, tanto pela doença quanto pela exposição gerada.”

A convivência entre os dois, garantiu Cristiane, foi fácil, e os espaços da casa passaram a ser mais valorizados. “Diminuímos também o consumismo, acho que todo mundo teve que enxergar um pouco isso. Que o que eu preciso para viver é tão pouco e isso é positivo”, concluiu ela.